Comparar o incomparável

Sunday, August 21, 2016

A propósito de uma simples, mas repetida, conversa cordial num dos grupos do facebook que sigo/participo, eis que que sobre a possibilidade hipotética e longuínqua de alteração da lei, nomeadamente do Código da Estrada, para que os sinais luminosos de vermelho fossem para as bicicletas equiparados a um simples STOP ou sinal  intermitente logo um conjunto de pessoas se insurge afirmando que a lei é para todos e todos a devem respeitar, e tal e coiso...

No mundo "civilizado" (no que diz respeito ao uso de velocípedes como meio de transporte e deslocação) já há muito que se mudou o paradigma permitindo que os semáforos vermelhos tenham distintos objectivos consoante o tipo de veículo.
Ver artigo Should cyclists be allowed to run red lights?

O que fazer nesta situação?
Cumprir, desobedecer ou mudar a regra instituída para se adaptar à realidade?


As leis mudam-se para se adequarem às realidades e necessidades, nada é escrito na pedra, basta pensar e ponderar as vantagens e desvantagens...

Como em Espanha, esse país bué longe daqui, onde já é permitido por lei a ultrapassagem de velocípedes mesmo com o traço contínuo.


As responsabilidades e as situações não são iguais, logo os deveres e direitos também não podem ser medidos pela mesma bitola. Noutros países já há muito se avançou, nós por cá ainda estamos na mesma, como a lesma.

...e ainda há dias numa dessas conversas outra pessoa dizia que se calhar a agressividade dos condutores para com os ciclistas no trânsito é porque estes não são obrigados a ter carta de condução, seguro e pagar um imposto de circulação.

Sobre esta opinião, desinformada, não há muito a debater... Eu tenho carta de condução, por acaso tenho seguro, e segundo este excelente post o custo de IUC que teria de pagar é de 1 cêntimo.
E não é por isso que os condutores de veículos motorizados tem mais cuidado ou respeito para comigo quando circulo respeitando o Código da Estrada.

E já agora só sobre essa falácia da carta de condução:
"Por dia são apanhados 23 portugueses a conduzir sem carta"
"Quase 18 mil condutores ficam inibidos de conduzir todos os meses"
"13 mil detidos sem carta. No exame de código 40% chumbam"

E só para dar uma ideia, já que opinões e entendimentos todos temos, ficam aqui uns números para pensar um bocadinho...

Que estão no Relatório de Sinistralidade Rodoviária ANSR

Enquanto não se entender o problema nunca mais se arranja a solução...

Distância e velocidade!

Tuesday, July 26, 2016

WWOOOO HOOO!!! Heeeeeehheeeeee! IIUUPÍIIII!!

(velocidade média em cerca de 800 kms já percorridos)

(velocidade máxima numa das mega-descidas que faço, e que à volta é uma mega-subida)


Sim, tenho a certeza que naquele troço ia em excesso de velocidade. Não costumo ir a mais de 50kms/h mas naquele dia quis testar a velocidade máxima da "Romana".
E mesmo assim no Strava não estou em primeiro.

"The Distance" - Cake

Reluctantly crouched at the starting line,
Engines pumping and thumping in time.
The green light flashes, the flags go up.
Churning and burning, they yearn for the cup.
They deftly maneuver and muscle for rank,
Fuel burning fast on an empty tank.
Reckless and wild, they pour through the turns.
Their prowess is potent and secretly stearn.
As they speed through the finish, the flags go down.
The fans get up and they get out of town.
The arena is empty except for one man,
Still driving and striving as fast as he can.
The sun has gone down and the moon has come up,
And long ago somebody left with the cup.
But he's driving and striving and hugging the turns.
And thinking of someone for whom he still burns. 

He's going the distance.
He's going for speed.
She's all alone
In her time of need.
Because he's racing and pacing and plotting the course,
He's fighting and biting and riding on his horse,
He's going the distance. 

No trophy, no flowers, no flashbulbs, no wine,
He's haunted by something he cannot define.
Bowel-shaking earthquakes of doubt and remorse,
Assail him, impale him with monster-truck force.
In his mind, he's still driving, still making the grade.
She's hoping in time that her memories will fade.
Cause he's racing and pacing and plotting the course,
He's fighting and biting and riding on his horse.
The sun has gone down and the moon has come up,
And long ago somebody left with the cup.
But he's striving and driving and hugging the turns.
And thinking of someone for whom he still burns. 

Cause he's going the distance.
He's going for speed.
She's all alone
In her time of need.
Because he's racing and pacing and plotting the course,
He's fighting and biting and riding on his horse.
He's racing and pacing and plotting the course,
He's fighting and biting and riding on his horse.
He's going the distance.
He's going for speed.
He's going the distance.

Yehuda está de volta!

Tuesday, June 28, 2016

Há muitos muitos meses reparei no Facebook do Yehuda Moon que haviam tiras que nunca tinha visto. Estavam de volta!! :)

Pouco tempo depois no Kickstarter sugiu a possibilidade de apoiar o projeto com uma série de opções... apesar de ser um pouco puxadote, e depois de muito ponderar apostei dinheiro numa das possibilidades (volume 5 + volume 6 + boné) e finalmente chegou!! Me very happy! :)


O volume 5 apesar de já não ser novo estava esgotado e com esta iniciativa consegui os dois volumes!

E autografados... Que nice!


O boné é muita catita! Ainda há pouco tempo andava no site da Rasto a namorar este tipo de bonés, só pela piada... mas são carotes.


É só mesmo pela piada do boné vintage de ciclista :)


Com a encomenda veio também um autocolante e um postal de um advogado especialista em questões jurídicas sobre o uso da bicicleta... muito bom!!



E agora vou deliciar-me a ler as tirinhas do Joe, Yehuda, Grail e companhia...

Apps for all

Wednesday, June 22, 2016

Durante uns tempos deixei de commutar de bicicleta e até tive de voltar a fazer muitos desses percursos de carro. E uma vez voltando a este modelo tive de me atualizar e passar a usar uma nova app que a malta que anda de carro me recomendava mas como de bicicleta ou mota não tinha «desses» problemas nunca usei...

Waze
https://www.waze.com/

"O Waze é a maior comunidade de condutores do mundo. Ajude os condutores à sua volta e partilhe informações de trânsito em tempo real. Evite gastos desnecessários de tempo e combustível."

É muito útil pois é uma rede de partilha de informação de trânsito feita pelos próprios utilizadores e pela velocidade que estes tem nos troços que fazem.

Um dia ia eu do trabalho para ir buscar a filha à escola e depois irmos ao médico pediatra e estava um daqueles dias caóticos de trânsito, acho que jogava aquele clube ali dos lados de Carnide e estava tudo emperrado. E chovia!! Chovia muito. Caos!
Ali perto de casa mas ainda no para-arranca vejo passar o E. na sua bicicleta ao regresso a casa findo o dia de trabalho. Foi uma daquelas coincidências pois o Waze tem uma feature que permite ver os "amigos" (eu usei o método de autenticação com o Facebook) que tb estão no trânsito, e pensei: "Se ele vai de bike pq está a usar o Waze?"
Num outro dia estava eu tb no trânsito parado na zona ainda de Oeiras e o Waze buzina. Nunca tinha ouvido aquele alerta... Afinal é uma feature do Waze que permite mandar uma buzinadela aos "amigos", como um cumprimento/olá.
Era o E. que deveria ir algures na sua bicla e me estava a buzinar...! O sacana!

Strava
https://www.strava.com/mobile

"Track all your runs, rides and cross-training too. Upload your activities from your Garmin, Android or iPhone and Strava will automatically log all your workouts."

Diz que é a melhor app para quem anda de bicicleta.
É ao estilo da RunKeeper, Nike+, Endomondo, etc, mas com foco nas bicicletas, apesar de tb dar para a malta que corre.
Tem funcionalidades muito fixes, tais como automaticamente dar um ranking de melhores tempos por determinados segmentos, para todos os utilizadores do Strava, mesmo que não sejam "amigos" e estejam na mesma rede.
Funciona bem no móvel e no PC para ver os dados e analisar a informação.
Como é uma aplicação com muitas funcionalidades é complexa de entender, mas se se usar só o básico é simples.


Glympse
http://www.glympse.com/get-glympse

"Glympse is a fast, free, and simple way to share your location in real-time. We put you in control. You set who sees you and for how long."

É uma app super simples e que permite partilhar um link com quem se quiser, e num simples browser os outros sem precisarem de instalar nada conseguem ver quase em tempo real a posição num mapa.


Útil por exemplo para coisas como a Mega Massa Crítica...
http://www.tinyurl.com/megamassa2016

Sevilha, a Amsterdão do sul da Europa

Tuesday, June 14, 2016

Fomos passar o fim-de-semana grande dos feriados de junho a Sevilha com uns amigos. Já lá tinha estado duas vezes, a ultima das quais há 7 anos num invernoso novembro. E de lá para cá a cidade transformou-se numa meca da mobilidade ativa.


Se já considerava que Valência e Bilbao que visitei mais recentemente eram muito bike-friendly então Sevilha é realmente um paraíso para quem gosta de se deslocar de bina.




Imaginem os "cojones" do alcaide que decidiu fechar esta avenida ao trânsito automóvel... isto se fosse cá em Portugal era linchado vivo. Se a CM de Lisboa para fazer melhorias que não tocam no status quo já está a ter a propaganda que está, imaginem se um dia um "maluco" caísse na loucura de fechar, vamos a imaginar, a Av. Fontes Pereira de Melo e torná-la uma zona pedonal e de comércio... 

~

A cidade tem muitas ciclovias, mesmo mesmo muitas, mas nas grandes avenidas.
Pelo que me disse um taxista foram retirados muitos lugares de estacionamento nas principais avenidas para dar lugar a essas ciclovias.

Existem também muitas ciclovias em cima de passeios, mas muitas delas não influênciam o passo pedonal. E mesmo onde há muitos "conflitos" não parecem ser beligerantes. Como há mesmo muitas bicicletas a rolar os peões já sabem que não devem andar nas ciclovias.


Nesta foto de cima está uma larga avenida com umas 4 vias de trânsito motorizado, uma de BUS e ao lado segregada uma ciclovia bidirecional que "roubou" espaço de estacionamento automóvel para ser feita, mas depois ladeada com arvoredo e  arbustos do passeio pedonal, que como não tem pedrinhas mas sim um piso confortável e liso é usada pelos peões (got it?!).

Na foto de baixo está um exemplo de como se faz uma ciclovia, contínua e onde o trânsito automóvel é que tem de dar prioridade, pois a passadeira de peões e a ciclovia mantêm a cota e sem interrupções, e os carros é que tem de dar prioridade e abrandar com cota elevada para passar fazendo acalmia de trânsito. Acalmia essa que era visível na postura de condução, em 4 dias só ouvi uma pessoa a apitar insistemente no seu bólide.


Mesmo as zonas mais "antigas" onde não há ciclovias, há imensas infraestruturas para ajudar no uso das bicicletas, desde parqueamentos a pavimentos mais lisos. Haviam muitas pessoas de cadeiras de rodas a circular sozinhas na cidade, e muita gente de skate e patins em linha mas em deslocação e não em lazer. E há muitas zonas 20 e 30 para limitar o excesso de velocidade automóvel e assim ter efetivamente zonas de acalmia para todos.






Outro detalhe é que há muitos locais de estacionamento de motos e como tal não concorrem com os lugares de bicicletas, e possivelmente por haver uma sensibilização diferente ao tema do que por cá, uma vez que devem ser severamente multados por usurparem os lugares das bicicletas.


Achei estes pormenores deliciosos, em muitas ruas estreitas criam estes mini-estacionamentos para motos em paralelo com a rua.

Obviamente, mas só pela piada, aderi ao sistema de aluguer de bicicletas partilhadas de Sevilha que funciona muito bem e que é muito usado, Ultimamente tem sido notícia que o sistema está a cair no uso mas porque muitas pessoas passaram a adquirir as suas próprias bicicletas, o que é um passo natural se se vive na cidade e se usa a bicicleta como meio de transporte.



video


E depois há aqueles detalhes que fazem a diferença entre haver ou não barreiras... os passeios lisos, quase todas as passadeiras ou são rebaixadas ou elavadas para garantir continuidade, tal como as ciclovias, as passadeiras são para peões e bicicletas pelo que não é preciso desmontar, existe sentidos proibidos e trânsito condicionado excepto bicicletas, os semáforos tem temporizadores e avisos sonosos para ajudas os minus-válidos, e tem sinalização para peões e bicicletas.
Detalhes que fazem a diferença...

E isso vê-se, pois há desde o mais licrado e enxuto ciclista de estrada, ao BTTista, aos grupinhos de crianças a rolar sozinhas ou a um casal de velhotes de bicicleta a irem de compras sem medo do perigo e da maluquice que é andar de duas rodas numa cidade com tanto trânsito.

Mais uma vez adorei Sevilha, e realmente está muito à nossa frente no que respeita a mobilidade ativa. Mas não seria capaz de viver nesta cidade, pois apesar de não ser de chocolate eu derreteria com o calor, estavam só 41 graus no dia 13 de junho quando regressámos e ainda nem chegou o verão a sério... mas sem ser isso é uma cidade que deve ter uma excelente qualidade de vida.

(Só o pão deles é que é uma coisa indescritível, se calhar se abrisse lá uma boa padaria acho que ficaria rico!)

Até em Sevilha se fala da Mega Massa Lisboa > Oeiras, que é já dia 24 de junho... :)


Informar por aí

Monday, May 23, 2016

Já que as autoridades e entidades responsáveis não fazem o que lhes compete vai de que temos de ser nós a explanar que para se ultrapassar um veículo é preciso cumprir o artigo 38.º do Código.
Mais a mais se for um velocípede!



Ver aqui o Código da Estrada

SUBSECÇÃO II Ultrapassagem

Artigo 38.º Realização da manobra

(...)
2 - O condutor deve, especialmente, certificar-se de que:

a) A faixa de rodagem se encontra livre na extensão e largura necessárias à realização da manobra com segurança;

b) Pode retomar a direita sem perigo para aqueles que aí transitam;

c) Nenhum condutor que siga na mesma via ou na que se situa imediatamente à esquerda iniciou manobra para o ultrapassar;

d) O condutor que o antecede na mesma via não assinalou a intenção de ultrapassar um terceiro e veículo ou de contornar um obstáculo;  

e) Na ultrapassagem de velocípedes ou à passagem de peões que circulem ou se encontrem na berma, guarda a distância lateral mínima de 1,5 m e abranda a velocidade.

3 - Para a realização da manobra, o condutor deve ocupar o lado da faixa de rodagem destinado à circulação em sentido contrário ou, se existir mais que uma via de trânsito no mesmo sentido, a via de trânsito à esquerda daquela em que circula o veículo ultrapassado.

4 - O condutor deve retomar a direita logo que conclua a manobra e o possa fazer sem perigo.

5 - Quem infringir o disposto nos números anteriores é sancionado com coima de € 120 a € 600. 


É que ainda os estou a ajudar a perceber que podem evitar uma pesada multa...!
Deviam era agradecer.

Mas no fundo, no fundo, não tem a ver com o cumprir ou não o código, tem a ver com a segurança das pessoas que circulam na via pública e que ao contrário de um automobilista quem vai a pé ou de bicicleta não tem a mesma proteção... no fundo tema a ver com o respeitar a vida humana! Respeito pelos outros, segurança para todos!

"Ah e tal, o que é isso do MUBi?"
É ir ver a www.mubi.pt e descobrir.

Mini-prémios de montanha

Friday, May 20, 2016

Ah e tal a bicicleta elétrica é batota, o melhor é uma bicicleta "normal" blá blá blá whiskas saquetas.

Eu tenho bicicletas normais, mas para este meu novo trajeto uma bicicleta normal não serviria, para mim.

Por isso entre vir de carro ou vir numa bicicleta com assistência à pedalagem prefiro a bicicleta "anormal".

E para quem não sabe, tem de se pedalar e muito! Aquilo não é uma motoreta.
Ainda hoje um colega de trabalho a quem deixei dar uma volta me perguntava:
"- Mas onde é que se acelera?"
"- Hello? A pedalar...? É uma bicicleta..."

São cerca de 12kms em cerca de 30 minutos, por montes e vales...


E quase, quaseee não transpiro...
 

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