Mobilidade em Oeiras - a tal mentalidade...

Sunday, January 15, 2017

Há algum tempo pedi via o portal "O meu bairro" da CM Oeiras, que é equivalente ao sistema "A minha Rua" de outras cidades, que colocassem uma série de passadeiras em cota alta de forma a melhorar a segurança na via pública quer pela redução da velocidade dos veículos motorizados quer pela capacidade de atravessamento para os utilizadores vulneráveis.

A resposta diz tudo sobre a mentalidade de quem desenha o espaço público...


"Não foi aceite a proposta de criar passadeira e/ou passagem p/ bicicletas (a via é basicamente distribuidora de tráfego Portela-Miraflores, s/ edifícios c/ acesso direto, exceto junto rotunda do fogo. A guarda metálica evita atravessamento pedonal."

É que depois há "acidentes de viação" e não se sabe bem como estas coisas poderiam ser evitadas... só por magia negra, quiça.



"Esta situação está referenciada, estando a aguardar que o prestador de serviços da EDP Distribuição efetue a retirada da coluna derrubada. (NA 103451424 Inc.6958829)."


Noutra zona ali perto após um atropelamento de um peão numa passadeira também fiz outro pedido... em 2015.

E também depois do relato de um meu vizinho que também usa a bicicleta como meio de transporte e que me disse que com o sol de final de tarde os automobilistas ficam "cegos" e não nos veem nas bicicletas e quase que ia levando com um carro por trás nesta ligeira subida onde nós vamos em esforço lento e eles (os carro) em aceleração. É que só pessoas que eu conheço que usam a bicicleta passam ali 5 pessoas, excluindo eu obviamente.


"Pedido: Dada a velocidade dos veículos nesta zona e a existência de paragens de autocarros e muitos peões, será possível criarem uma passadeira com cota alta para forçar a redução de velocidade dos carros/motas. Há dias uma senhora foi atropelada na passadeira.
(...)
Resposta: Informamos que não foi autorizada a colocação/instalação de lombas."

Reforcei em 2016... explicando que não pedi lombas mas passadeira em cota alta.


É que os técnicos inferiores da CMO nem sequer percebem o que é pedido, e não resolvem os problemas... se é assim tão difícil de mudar mentalidades se calhar o melhor seria mesmo mudar de técnicos e de executivo. É votar!

Mobilidade reduzida na Estrada da Outurela, Carnaxide

Tuesday, January 3, 2017

«Como é que um peão, um idoso, uma criança, um cego, uma pessoa de cadeira de rodas, alguém numa bicicleta podem circular em segurança se só se olha e investe na mobilidade automóvel?»

Não podem circular em segurança! Ponto.

E quiça segundo a ANSR só podem se usarem capacete na cabeça e assim fica tudo bem sem incomodar os fanáticos dos popós!

Hoje assisti no troço onde a CM Oeiras e o seu gabinete de mobilidade estão a fazer obras de alteração de perfil a esta vergonha que nos devia tocar a todos.


Sobre esta Estrada da Outurela já escrevi antes aqui:

Os que hoje nos tolham os futuros
http://asminhasbicicletas.blogspot.pt/2016/12/os-que-hoje-nos-tolham-os-futuros.html

Estes ciclistas a embaraçar o trânsito!
http://asminhasbicicletas.blogspot.pt/2016/11/estes-ciclistas-embaracar-o-transito.html

Legalizar o estacionamento ilegal e potenciar o aumento de perigo rodoviário descurando os transportes públicos, peões e utilizadores de bicicleta
http://asminhasbicicletas.blogspot.pt/2016/11/legalizar-o-estacionamento-ilegal-e.html


Não sendo eu técnico, não tenho conhecimento ou formação para desenhar soluções, quer-me ainda assim parecer que a imbecilidade que estão a fazer nesta Estrada da Outurela é derivado do pensamento reinante de que o automóvel particular é que é o futuro da mobilidade quando em muitos outros países e cidades há muito que se mudou o paradigma...

Era assim tão difícil criar uma ciclovia unidirecional de cada lado da Estrada da Outurela de forma a segregar o uso de velocípedes, cadeiras de rodas, carrinhos de bebés, e libertar os passeios para os peões? É assim tão complicado?




Se não sabem fazer melhor contratem gabinetes especializados, em Portugal e no estrangeiro há muito conhecimento de saber feito que pode minorar estes erros crassos de desenho urbano.

As cidades devem ser desenhadas para as pessoas, não para os carros!
https://www.youtube.com/watch?v=1tvYlUH9YRo
https://www.youtube.com/watch?v=NAr5sB6aivk

É preciso mudar de paradigma, enquanto há tempo e não dar mais tiros nos pés!


Carta à ANSR sobre o PENSE

Monday, January 2, 2017

Carta aberta à ANSR sobre o PENSE.


Caros srs. responsáveis da ANSR pelo PENSE,

Foi com alguma desilusão que passei os olhos no vosso trabalho PENSE - PLANO ESTRATÉGICO NACIONAL DE SEGURANÇA RODOVIÁRIA e constatei que novamente a ANSR está com o foco errado, no que concerne aos meios ativos de locomoção nomeadamente o uso da bicicleta.

Ora não é que continuam a querer induzir o ónus da responsabilidade aos ditos utilizadores vulneráveis, quer peões quer utilizadores de velocípedes, no tema da segurança rodoviária?

Querendo agora e contra todas as estudadas e provadas realidades obrigar o uso de um capacete ao invés de focarem-se no real problema que causa a dita insegurança na via pública, e que é não mais que o excesso de veículos automóveis e a sua escessiva velocidade dentro das localidades.

E criar campanhas direcionadas aos utilizadores vulneráveis para que estes estejam informados?

As vossas campanhas de informação são péssimas, por exemplo criando e fomentando o medo do uso da bicicleta como meio de transporte, fazendo com que as pessoas se afastem desta solução. Ao invés deveriam copiar as boas campanhas que se faz um pouco pelo mundo que mostram pela positiva e pelo humor o uso deste meio e não criarem campanhas pela negativa fazendo transparecer que o uso da bicicleta é perigoso e até mortal!

Más campanhas da ANSR, pela negativa:



Boas campanhas, pela positiva:

Não obstante o uso do capacete em alguns videos, quiça movidos pela mesma percepção errada que o mesmo protege em todos os casos e feitos de forma arteficial (são spots publicitários) e não pela realidade, o facto é que estas campanhas são muito mais positivas e apelam ao bom-senso e ao civismo de forma positiva.

Sobre o estudo da obrigatoriedade do capacete para uso de bicicleta, mais uma vez e não obstante o facto de quem faz BMX, BTT ou ciclismo de estrada dever, e na sua grande maioria, usar capacete pois podem ter quedas em que este dispositivo pode efetivamente salvaguardar a cabeça de lesões, está mais do que provado quem em países onde a bicicleta é um meio de deslocação o seu uso não é obrigatório. Inclusive nota-se que os países que tem obrigatoriedade do seu uso tem registado um decréscimo da adopção da bicicleta, numa clara demonstração de causa-efeito.

Não faz sentido quem anda a 10kms/h para ir comprar pão ter de andar de capacete, ou mesmo para a difusão de modelo de sistemas de bicicletas partilhadas, como se vê nas grandes cidades pelo mundo.


Ou qualquer dia também vão estudar o uso de capacete pelos peões na via pública?



Estes seguintes video refletem a realidade, da segurança na via pública de bicicleta, e em que quase ninguém usa o dito capacete:


Mas isso não significa que o uso de um dispositivo de proteção passiva não possa em casos excepcionais efetivamente ser útil e proteger a cabeça, mas se assim é então quiça devessem estudar a possibilidade de obrigatoriedade de uso de cabeça em veículos automóveis, pois os números demonstram que há muitas colisões que provocam traumatismo cranianos aos ocupantes destes veículos. Seria uma medida que salvaria muitas vidas e até complicações em lesões que poderiam ser evitadas. Não vi no PENSE essa intenção, mas quiça deveria estar a ser ponderada.



O tema da segurança rodoviária é efetivamente de todos e para todos, mas o vosso foco sobre a insegurança não está apontado para o lado correto.

É preciso reduzir a velocidade excessiva e há muitos exemplos pelo mundo de como se faz. Mais peões e mais bicicletas são uma forma de reduzir essa insegurança, as medidas que fizerem diminuir esses meios são contraproducentes! PENSEM!


Cmpts

Cidades humanas...

Sunday, January 1, 2017

Em Lisboa a, tímida mas corajosa, abordagem de obras à mobilidade em modos ativos estão quase a acabar e em breve poderemos ver os frutos desse investimento nas pessoas e na cidade.

(imagem da página do facebook Gobierno de Buenos Aires)

Hoje dia 1 de janeiro de 2017 fui com a família, de carro é certo, almoçar perto da Praça do Saldanha em Lisboa, e quase que parecia um domingo qualquer numa aldeola no meio do nosso Portugal profundo, tal era a diferença para a azáfama dos dias correntes deste eixo central.

Ainda assim deu para ver em 10 minutos os tais 5 ciclistas que o PSD Lisboa afirma serem os únicos utilizadores das dezenas de quilómetros de ciclovias que a CML esbanjou do erário público.


(oh o quinto ciclista lá ao fundo...)

Gosto da maneira como enquadraram a calçada artística com este material de cimento branco mais usável para peões, carrinhos de bebé, cadeiras de rodas, e pessoas com trolleys. E não foi preciso alcatroar com aquele alcatrão escuro que se vê em Paris ou Londres, continua com a luminosidade branca que caracteriza os passeios do centro e sul do país.

Como em todos os projetos há sempre pormenores menos bem conseguidos, pena é que os técnicos da CML não peçam a opinião e apoio das associações e dos utilizadores de bicicleta mais experientes, ou até de gabinetes especializados em Portugal e no estrangeiro, a fim de não cometerem erros de desenho que depois na obra exponenciam perigos desnecessários se a infraestrutura fosse bem feita.

Exemplo é esta ciclovia que circunda a praça do Saldanha, assim como aliás a que existe na Praça do Marquês de Pombal na outra ponta da mesma Avenida Fontes Pereira de Melo em Lisboa.

Porque raio se desenhou a ciclovia no meio da praça ao nível do passeio, mesmo que segregado? Os peões vão continuar a invadir esta via pois não há cultura ainda para perceber que ali não devem andar. Só com um número elevado de bicicletas a rolar, que eu sinceramente desejo e acho que irá acontecer, mas vai sempre haver uma ovelha tresmalhada a furar as regras de conduta.

Não era melhor ter feito no lugar onde aqueles carros estão estacionados (ver primeira foto de cima) o prolongamento da ciclovia? Não era melhor até para os cruzamentos, mantendo a ciclovia com prioridade, fazendo-a elevada em relação à cota da estrada para abrandar o trânsito motorizado no atravessamento?


Mas se há coisas menos bem conseguidas, há que dar o mérito quando merecido, e a praça está mais ampla, mais humana, mais usável. Com muitos bancos de jardins, dos bons, em madeira.

E para quem conhece a zona e a sua vivência o que dizer de finalmente a passagem de peões que era um pesadelo para atravessar uma dúzia de metros onde antes se tinham de fazer 3 passadeiras distintas e atravessar 4 faixas de rodagem agora está uma larga e funcional passadeira que une as duas laterais da avenida sendo possível fazer a travessia de um só fólego.

Onde antes os peões se "atiravam para a estrada para alcançar a outra margem" agora está uma passadeira para as pessoas, todas as pessoas, pois a CML tem investido muito nas infraestruturas de inclusão daqueles que tem mobilidade reduzida.
Espetacular!!! Muito bom trabalho!



Ainda assim, na minha opinião, a Avenida está com um perfil de autoestrada, com muitas vias e pouco espaço pedonal e cheia de obstáculos.



É capaz de ser útil este tema do placard com os lugares de estacionamento disponíveis, mas o lettering dos nomes dos parques parece pequeno, e quiça devesse estar antes no semáforo vermelho para se ler enquanto estivessem parados, pois no momento de aceleração duvido que se consiga ler.


Estes bancos são um pormenor interessante, quiça para fazer a segregação entre peões e a ciclovia, vamos ver com o tempo se resulta... mas quando os vi admito que só me fez lembrar este excerto da letra da música dos Azeitonas - "Anda comigo ver os aviões" e imaginar um par de namorados ali sentados a inalar o CO2 dos escapes.
«...
Anda comigo ver os automóveis à avenida
A rasgar nas curvas
A queimar pneus
...»
Eu sei que é parvo, mas foi o que pensei... não mando no meu cérebro.

Fiz este pequeno video, desta vez dentro do carro, no lugar do pendura, antes de pintarem a via reservada de BUS no sentido descendente da Praça do Saldanha para a Praça do Marquês.
Hoje havia pouca gente a circular, quer a pé quer de bicicleta.



Já tinha antes feito outro do lado oposto, no sentido ascende, onde num sábado lá passei na minha bicicleta elétrica.


"Ah e tal é uma vergonha, querem fazer os Lisboetas andarem todos a pé e de biciclete! E os carros por onde passam? Estas modernices lá do norte da Europa não servem para a nossa cidade..."

Então mas parece que funciona bem em Santiago do Chile, no Chile.



E também em Buenos Aires, Argentina.


Vejam mesmo estes links, vale a pena!

E qual é assim a grande diferença que salta à vista nestes dois vídeos de cidades latinas na América do Sul? Qual é? Para além de terem passeios largos, faixas de rodagens mais estreitas para redução de velocidade, e de delimitação entre o trânsito e os peões? Qual é?

É que quase não há estacionamento para automóveis na rua...! O horror! O drama!

Quantas ruas conhecem com trânsito automóvel que não permitam de todo estacionamento automóvel? Sem ser a Rua da Prata e a Rua do Ouro não estou a ver muitas mais.
(Eu não conheço Lisboa inteira, mas duvido que hajam muitas dessas ruas... but you get the point, right?)

Uma cidade mais humana tem de ser mais equilibrada. Eu não condeno o uso do carro como meio de transporte, eu tenho um carro, e uso bastante, só não abuso do mesmo. O que não consigo aceitar são as políticas que não dão liberdade de escolha a todos, e previligiam uns em detrimentos dos restantes.
E os enormes custos que daí advêm, para todos!!

Obras para melhorar mobilidade...

Friday, December 30, 2016

Após alguns meses em obras abriu finalmente em Carnaxide uma rua do Centro Histórico (núcleo antigo?) que foi inclusive eco na imprensa nacional.

Núcleo antigo de Carnaxide reabre ao trânsito esta sexta-feira - in Público

«Com esta intervenção, o acesso automóvel pelo Largo da Pátria Nova à Rua Manuel Santos Mónica e à Rua Francisco Patarrão passará a fazer-se, a partir de dia 30, apenas no sentido ascendente. Segundo Jorge de Vilhena, presidente da Junta de Freguesia da União das Freguesias de Carnaxide e Queijas, “o objectivo de fazer circular o trânsito de uma forma mais natural, dotando as vias de maior segurança rodoviária com redução da velocidade e privilegiando a circulação pedonal, foram conseguidos, mas a próxima fase que a Junta de Freguesia apresentará como ideia e pretende que seja realizada, será o aumento de estacionamento no fim da rua do lavadouro com o aproveitamento do baldio existente”.»
https://www.publico.pt/2016/12/29/local/noticia/a-circulacao-automovel-no-nucleo-antigo-de-carnaxide-reabre-a-30-de-dezembro-1756330

Eu que não sou técnico não consigo realmente entender como é que fazendo obras se mantem quase tudo na mesma e afirmar que existe uma redução da velocidade e previligiando a circulação pedonal.


As passadeiras estão ao nível da estrada e deveriam era estar em quota alta para forçar a diminuição da velocidade automóvel, permitindo uma melhor mobilidade aos peões, aos idosos, cadeiras de rodas, carrinhos de bebés e carrinhos de compras. E até se evitaria gastar dinheiro em sinalização vertical (sendo tal legal, coisa que não sei).

O uso de calçada (pedra basáltica) para a estrada é boa para reduzir alguma da velocidade automóvel, mas péssima para quem usa modos ativos como a bicicleta, poderiam ter feito uma estreita zona lisa ao centro facilitar a velocidade de quem sobe a assim não atrasar o passo ainda mais e causar a tal animosidade dos automobilistas.


E como se pode ver pelo video, havendo uma necessidade deveriam ser criadas as devidas condições, em segurança, para haver um contrafluxo de bicicletas contrário ao sentido do trânsito. Em Braga tem sido um sucesso.



Os passeios continuaram diminutos quando podiam ter sido alargados, tenho até dúvidas que um carrinho de bebé consiga passar ali dada a largura existente e os novos pilaretes que colocaram para afastar as bestas que não sabem que é proibido estacionar em passeios, ainda assim já se vê um veículo estacionado indevidamente.

Não há nenhuma sinalização de zona 30 como deveria ser um núcleo histórico pedonal. Aliás, acho que alguém se enganou e agarrou nos primeiros sinais que diziam 30 e meteram lá... é que uma coisa são os sinais de velocidade máxima 30, zonas 30 como são conhecidas, e que são tipicamente afetas a zonas pedonais, outros sinais são os de recomendação de circulação de 30. ABSURDO!!!!
Então mas como é que eu de bicicleta numa zona supostamente em empedrado e supostamente pedonal consigo cumprir o recomendado de 30 km/h?
Só pode ter sido um erro... ver no video que aparecem DOIS desses sinais.



Está melhor do que o que estava? Talvez! Quero acreditar que sim.
Mas podia ter ficado ainda melhor se o pensamento reinante de quem nos governa e faz estes projetos não fosse o de ter o carro sempre em primeiro. Enquanto assim for, teremos cidades para carros e não para pessoas.


E depois temos o pensamento de sempre que é aproveitar um baldio para fazer mais estacionamento automóvel em vez de dar esse espaço para hortas urbanas, ou um jardim ou um parque infantil... sempre com o pensamento com a visão errada.

Aconselho o Presidente da Junta, da Câmara e os responsáveis por estas e outras obras a verem este documentário, pode ser que percebam:

Não obstante, as minhas críticas construtivas, tenho que o atual Presidente da Junta é uma pessoa séria e com alguma visão sobre estes temas, e quiça com alguma perservença consiga realmente mudar alguns destes pequenos pormaiores que fazem toda a diferença, quiça nesta rua ou em obras vindouras. Quero acreditar que sim... ainda quero acreditar.

Sustentabilidade... das palavras aos atos.

Mudar o mundo como um todo não está nas nossas mãos, mas mudarmos o que fazemos para um mundo melhor está em cada um de nós. E só nós é que podemos fazer essa mudança, com ou sem o apoio dos outros, do estado, da sociedade, pouco ou poucoxinho, mas está em cada um decidir por si se quer fazer parte do rebanho ou pensar pela sua cabeça e mudar-se mudando os outros e o mundo.

Desde que tenho a "Romana", sensivelmente desde Março, que já fiz 2121 kms (feitos hoje, último dia do ano de 2016), quase na sua totalidade em deslocações pendulares casa-trabalho.

Dois mil cento e vinte um kilómetros!!


Um amigo chamou-me a atenção para um documentário que passou recentemente na RTP1 sobre o fim da nossa existência como espécie no planeta:

"AMANHÃ, um documentário de CYRIL DION e MÉLANIE LAURENT"


Estive ontem a ver e ficam aqui uns excertos que "pirateei" com o telemóvel (espero que a RPT não me processe).

«Será razoável circular na cidade com um carro que pesa 1.600 kg para transportar um homem que pesa 70 kg?»

«... sabemos agora, se fizermos mais estradas teremos mais trânsito. Concluímos ainda que se fizermos mais ciclovias e equipamentos para bicicletas, se convidarmos as pessoas a pedalar, então no espaço de 10 anos haverá mais pessoas a fazê-lo.»


«... meios de transporte interligados ... para que as pessoas possam viajar 80kms sem ter de utilizar o carro.»

Eu tento fazer a minha pequena parte, que é pouco eu sei, mas é o que consigo ir fazendo, nomeadamente no que concerne ao transporte diário pendular... foram menos 2121 kms a gastar petróleo.


"Ah e tal mas tens uma bicicleta elétrica, por isso tb poluís!"
É verdade. Não nego que a eletricidade que a bateria consume ainda não é produzida 100% de forma sustentável, mas quiça um dia seja. E é da produção na origem que advém os CO2 e não da deslocação em si.

Mas é fazer contas como dizia o atual Secretário Geral da ONU já no seu tempo de governo...


Ora, se foram 2121 kms, segundo a infografia anterior, dá qualquer coisa como:
  • Bicicleta elétrica: 0,012666667 kg CO2 por km.
  • Moto (scooter 125): 0,208666667 kg CO2 por km.
  • Carro (gasolina, o meu é a gasóleo por isso ainda será mais - shame on me): 0,4 kg CO2 por km.
Totais para os 2121 kms:
  • Bicicleta elétrica: 26,866 kg CO2 (na produção da energia elétrica na fonte).
  • Moto (scooter 125): 442,582 kg CO2.
  • Carro: 848,4 kg CO2.
Ou seja, tendo optado por uma decisão individual e só minha, sem apoio do estado e sem nenhuma infraestrutura própria para bicicletas o meu contributo para a produção de C02 vindo de bicicleta para este meu atual local de trabalho foi 3% se comparado com o usar o carro para fazer o mesmo trajeto, e de 6% se comparado com o que seria se viesse de scooter.

Se tivesse mantido o antigo local de trabalho seria 0 kg CO2 pois antes usava uma bicicleta mecânica e apenas tive de optar pela elétrica por causa destes declives...




"Ah e tal mas isso da poluição é um mito... cá não há disso!"

Isto é de hoje, é de Madrid, aqui ao nosso lado.


Poluição atmosférica mata 6700 por ano em Portugal
https://www.publico.pt/2016/11/23/sociedade/noticia/poluicao-atmosferica-mata-6700-por-ano-em-portugal-1752201

Está em nós mudar o que podemos mudar e está em nós pressionar quem nos rege, quem faz as leis, quem muda o paradigma, para que o mundo seja melhor, mais justo, mais sustentável.
E não é nos copos com os amigos em conversas banais e inconsequentes que as coisas mudam... é pegar em cada um de nós e dar um pouco de tempo, de vontade, de esforço para pressionar, para informar, para esclarecer...

Por exemplo, uns minutos do seu tempo serão mais que suficientes para mandar um mail à ANSR para que pense bem no seu "PENSE 2020 - PLANO ESTRATÉGICO NACIONAL DE SEGURANÇA RODOVIÁRIA" e nao ande ao contrário do caminho que está a ser trilhado por todas as restantes capitais e países desenvolvidos no sentido de promover os modos ativos.


Dizem eles:
«Contamos consigo. “A Segurança Rodoviária é uma responsabilidade de todos”. 
Contacto de email: pense2020@ansr.pt»

Eu pela minha parte não conto muito com esta ANSR, que não quer caminhar no sentido de uma melhor segurança rodoviária para os utentes vulneráveis mas continuadamente criar poucas condições para que cada vez mais possamos optar e ter liberdade de escolha querendo criar leis e condições que contrariam a adopção do uso da bicicleta como meio de transporte.



E se andam assim tão preocupados com os traumatismos cranianos quiça devessem era fazer um estudo que realmente salvasse vidas??




«Contamos consigo. “A Segurança Rodoviária é uma responsabilidade de todos”. 
Contacto de email: pense2020@ansr.pt»

Digam-lhes o que pensam! Façam o vosso bocadinho para mudar o mundo e sermos mais sustentáveis. Mesmo que não possam usar a bicicleta permitam que os que querem e possam o façam!

Sustentabilidade... das palavras aos atos. Ou então continuem a ver a bola ou outras coisas... cada um com as suas obsessões!

Sorrir e acenar, sorrir e acenar...

Wednesday, December 21, 2016

Já antes tinha mencionado este tema no post passado sobre a Empatia e a praga que aí vêm.



Isto a propósito de que agora no meu commute é raro cruzar-me com muitos outros utilizadores de bicicleta mas sempre que nos cruzamos há aquele cumprimento de segundos em que desejamos que o parceiro do pedal chegue ao bem ao seu destino.

Hoje aconteceu cruzar com o VR, mas há dias cruzei com o PR e outro dia com o RL num commute para Lisboa. Somos poucos mas sempre que nos cruzamos enche-nos a alma ver que não desistimos e começamos a ser cada vez mais.



Aos automobilistas também cumprimento, quando eles estão parados paradinhos e tem tempo para me verem... :) Pode ser que alguns percebam.


Sorrir e acenar!
 

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