Odeceixe e mais uma estória dos Funcionários #7

Sunday, July 19, 2015

(Na onda da sátira "Funcionários" do livro "Quotidiano Delirante" do artista Miguelanxo Prado seguem mais umas estórias de pura ficção...)


- Bem-vindo de volta Senhor Engenheiro. Esse descanso? - perguntou o rapaz com um sorriro trocista.
- Obrigado rapaz! Obrigado... foram umas boas férias!
- Então, onde foi?
- Há anos que um velho amigo me andava a desafiar para ir conhecer as suas paragens, e assim este ano em vez de ir para os brasis ou méxicos fazer praia resolvi ficar por cá.
- Pois, com tão boas praias no nosso país...
- É, mas para mim férias tem de ser ir de avião e para um sítio diferente e longe daqui... tás a perceber rapaz? - diz o engenheiro com a soberba de quem tem dinheiro e os outros não.
- Mas foi para onde então? Conte lá...
- Ópá, fui para Odeceixe, conheces?
- Então não!? Uma das melhores praias do país. É excelente para tudo. Para a criançada, para o surf, para descansar pois não tem muita gente, e tem o rio que é uma alternativa quando a maré está brava, até para correr e andar de bicicleta, e a comida é muito boa... um paraíso...



- Por acaso também gostei, mas pena é a falta de acessibilidades.
- Como assim?
- É pá, demora-se muito a lá chegar... é só estradas e estradinhas... falta uma autoestrada naquela zona?
- Uma quê...? - questionou o rapaz supreendido mas ao mesmo tempo resignado.
- Uma autoestrada! Aquilo é logo ali mas como é por estradinhas com curvas e pelo meios dos montes demora-se muito tempo...
- Mas é o ideal para quem vai de passeio ou de bicicleta até, há muito turista que viaja de bicicleta para essa zona litoral... acredito que viu muitas não?



- Então não vi? No meio da estrada a atrapalharem, e mesmo na zona da vila ou da praia muitas delas... olha, e até tenho uma estória para te contar sobre isso das bicicletas... Esse meu amigo é lá da Junta, sabes como é, somos um networking, troca de conhecimento e tal, uma ajuda aqui, outro ajuda ali... e há uns anos pediu-me ajuda para isto da mobilidade e tal...
- A sério?
- Sim, sim rapaz. Eu percebo de mobilidade! Então mandou-me umas fotos e uns croquís para eu lhe dar a opinião. Era para meterem lá um parqueamento de bicicletas, para as arrumar todas e não andarem espalhadas lá na zona da praia.
- Hmmm, estou a ver... para não incomodarem os carros?
- Isso! Vês como estás a aprender? E então estive lá e vi in-loco a obra que foi feita com as minhas orientações...
- À distância? Fez avaliações e orientações à distância? Sem conhecer o local e a sua vivência?
- Ó rapaz, quando se tem traquejo é assim... Mas fiquei muito decepcionado!
- Foi?
- Pois foi! Sabes porquê? Porque os turistas ciclistas e os utilizadores de bicicleta não sabem dar  valor ao trabalho e esforço que fazem por eles. Quer dizer, abdica-se de um excelente lugar de estacionamento automóvel para colocar uma estrutura que custou dinheiro e em vez de usarem, sabes o que fazem? Sabes?
- Sei pois...
- Pois não sabes... ah sabes, como assim?
- Deixe-me adivinhar... em vez de usarem uma estrutura estrategicamente colocada longe de tudo e de forma a não incomodar, os sacanas vão e prendem as bicicletas aos locais mais inusitados - diz o rapaz com tom sacástico mas sem o engenheiro entender.




- EXATO!!! Aquilo tem lá espaço de sobra, ah e tal tem de ter um lugar permanente para ambulâncias, ok tudo bem, tem de ter um lugar para deficientes e como é óbvio tem de ser o melhooor lugar de todos... - diz o engenheiro com tom de asco - sim, porque o lugar está sempre às moscas, por isso vamos de reservar o melhor lugar para ficar sempre vazio.
O rapaz já torcia os olhos, mas continuava sereno a ouvir.
- ... e depois está um lugar para a Junta, isso tem de ser, não vai o esforçado e deligente representante de junta ter de deixar o carro longe de tudo, e depois um lugar para as autoridades, a GNR, também faz sentido, mas está quase sempre vazio, e depois um excelente lugar para bicicletas, que também está vazio. Portanto temos ali mesmo em frente à praia uma zona reservada para quase ninguém usar, fica um espaço amplo e desafogado, sem sentido.
- Sem sentido?
- Podia muito bem caber ali bem alinhados uns 6 a 7 carros, mas não... e mais, estacionam as bicicletas agarradas mesmo ao pé de um sinal de proibido parar e estacionar. Esses ciclistas não sabem as regras?

- As regras que foram feitas para... os carros?
- Não interessa, regras são regras!
- Já lhe ocorreu que quiça os estacionamentos de bicicletas é que são mal feitos e mal pensados, e por isso ninguém os usa?
- Já me ocorreu, mas é uma ideia absurda, obviamente que não é assim. Se são bons lugares porque não os usam?
- Se calhar porque não são bons, se calhar as estruturas são entorta-rodas, se calhar são longe da vista, longe de locais onde as pessoas sentem mais segurança, as pessoas deixam as suas bicicletas o mais perto possível do local para onde vão, é uma das vantagens da bicicleta, não a vão deixar a 300 metros, ou mesmo a 50 metros se as podem deixar mesmo ali "à mão"...
- Isso é que não faz sentido nenhum. Quem anda de bicicleta não se importa de fazer exercício físico, se já veio de bicicleta o que são mais 50 metros? Já eu que vou de carro, que não quero fazer exercício, deveria ter lugar mesmo "à porta", isso sim, faz sentido...
- Ah!! - rematou o rapaz que achou que já nem valia a pena continuar a conversa.


A estória é fição minha, mas os suportes são reais.

Mega Massa Especial de Verão : 31 de julho

Monday, July 6, 2015

Somos 7 mil milhões neste planeta e cada um de nós é único.
Somos meros grãos de areia numa praia gigante.

Mas cada um de nós pode fazer a diferença, cada um de nós conta... se não ficar indiferente, se não ficar quedo, mudo. Se não se subjugar ao medo e à inércia do poder dominante (e não, não estou a falar da Grécia).

Cada um pode fazer a diferença. É o efeito borboleta, lembram-se do Jurassic Park, o primeiro?
"It simply deals with unpredictability in complex systems. The shorthand is the Butterfly Effect. A butterfly can flap its wings in Peking and in Central Park you get rain instead of sunshine.")

Nós somos poucos, somos pequenos, somos uma minoria... mas se "batermos as asas", todos juntos ao mesmo tempo, faremos da brisa um vento forte que terá que mudar mentes daqueles que decidem o nosso dia a dia, que decidem o nosso futuro.

Amsterdão não nasceu assim, foi-se transformando através de uma luta pacífica mas sólida durante muitos anos. E Sevilha, Valência, Bilbao, Pontevedra, e tantas outras aqui na nossa vizinha Espanha não se fizeram num dia... foram ganhando forma pelo empenho das suas comunidades.

Se queremos mesmo melhores condições para todos, idosos, crianças, bicicletas, convém investirmos um pouco do nosso tempo nesta demanda por algo melhor.

"Ah e tal tenho mais que fazer, e uma vida mui ocupada, e o camandro e o caneco..."
Contas de merceeiro: Para uma esperança de vida de 75 anos, investir ~3 horas para ir a uma Massa Crítica é cerca de 0.004% do seu tempo total. Quem é que não pode dar isto?

(foto retirada de uma pesquisa do Google, pode ter direitos)

«
Mega Massa Especial de Verão : Lisboa > Oeiras
Caso a maioria dos presentes no ajuntamento da a MC de julho de 2015 de Lisboa concorde esta será uma mega massa especial de verão com destino a ver o pôr do sol numa das praias de Oeiras!
https://www.facebook.com/events/396741723850305/2

Já tinha sido falado na MC de Maio a união das MCs de Lisboa e Oeiras como forma de mostrar o quão importante é a criação de uma ciclovia na Marginal [http://www.facebook.com/ciclovia.marginal1
A ideia é partir cedo, às 18:30, em direcção a Oeiras, para lá chegar ainda com luz solar.

Vais à Massa Crítica pela 1ª vez? 
RECOMENDAMOS a leitura deste pequeno Guia: 
http://www.massacriticapt.net/?q=node%2F1971

Como de costume tudo está aberto a discussão! Percurso, partida e até a própria proposta!
»

Isto a acontecer vai ser provavelmente a primeira Massa Crítica em Portugal que começa num concelho e acaba noutro. Histórico!!

Nota: não há organização das MC's. É algo anárquico e espontâneo.
Pode nem acontecer nada disto... só se a maioria presente assim o decidir.


Era fixe um dia termos uma cena assim, não era?


Smell the roses

Wednesday, July 1, 2015

O meu trajeto casa-trabalho-casa tem muito alcatrão, poluição e às vezes alguma confusão.
Mas também tem uma refrescante mixórdia de cheiros e tons floridos e coloridos que me enchem o ser.

Na primavera é o mar de flores e os seus muitos odores, no outono o cripitar das folhas secas, nas chuvas de verão o cheiro da terra molhada, no inverno o manto refrescante das brisas matinais, em qualquer estação o cheiro da relva cortada, e tantas mais...
São coisas que só os sentidos de quem anda nos elementos entende.





















E tu? Entendes?

Ou estás confinado a um ar condicionado (condicionado, got it?) e a cheiros químicos artificiais que te impingem para fingir que estás no meio das montanhas?


Caravanas e bicicletas

Tuesday, June 30, 2015

No meu trajeto de commute por bicicleta passo muito perto do Parque de Campismo de Lisboa, que não conheço lá dentro mas pelo aspecto exterior e do que dá para ver até deve ser um bom parque e fica muito bem localizado.

No entanto os turistas/campistas que ali pernoitam tem poucas ofertas de transportes, e até a paragem de BUS que podia ser à porta (houvesse vontade) se situa a uns 500mts (é para fazerem uma mini-caminhada).

Agora nas Primavera e Verão vê-se as paragens cheias de pessoas com ar de estrangeiros a apanhar grandes secas à espera dos autocarros, quando quiça com uma ciclovia podiam rolar até Lisboa de forma simples, rápida e económica.

O Parque de Campismo até podia ter um novo modelo de negócio de aluguer de bicicletas e disso ter mais um retorno financeiro, mas não...

E há sempre muitos que trazem as suas próprias binas, tipo isto:


Hoje no centro de Lisboa vi uma autocaravana com uma scooter atrelada, tipo isto:


Mas o que mais me surpreendeu foi há uns meses ter visto na autoestrada, num dia que vim de motinha, uma brutal caravana com um Smart For2 atrelado, não era bem tipo isto mas era quase:


Enfim, se as cidades não estão preparadas para as bicicletas as pessoas começam a trazer motas e carros para fazer campismo. Not good! :(

Para quem tiver curiosidade, pode navegar na Estrada da Circunvalação de Lisboa via o Google Street View e ver o que os turistas podias fazer de bicicleta mas não fazem: Entrada do Parque de Campismo

VeloCorvo - um serviço à parte

Tuesday, June 23, 2015

Lembram de ter recomendado uma oficina em tempos? Pois agora descobri uma ainda melhor...

Conheci o moço da VeloCorvo (http://velocorvo.com/aqui no mundo virtual (redes sociais e blogs e fóruns e tal) e depois cruzámo-nos na primeira Massa Crítica de Oeiras em carne e osso, conversámos e tal e acabei por perceber que era aqui perto da minha zona e que se algum dia precisasse era mais um mecânico à disposição.


Pois como a disponibilidade é algo que escasseia, uma coisa que me incomoda é horários "normais" das lojas, e com a VeloCorvo tive a sorte de ser atendido a um dia fora de horas, o que dá um jeitaço.

Lá combinámos o sítio e hora e fui ter com o Pedro (o tio, da VeloCorvo) e ele lá me tratou da minha menina Felicidade.





Com calma e paciência, mexeu e remexeu, conversámos, mostrou-me e ensinou-me, o tempo passou e a Felicidade estava supimpa!
Afinadinha como um relógio suiço, dos bons! (apesar do material da dita não ser de topo de gama)

Ficaram umas coisas por resolver, mas para isso tenho de comprar o material que falta - umas luzes para usar o dínamo que ele entretanto já me aconselhou mandando os links e tal (isto do mecânico ser versado em internet e afins dá jeito).


Disse-me algo como:
"Só as bicicletas paradas e guardadas nas arrecadações é que não dão problemas." 

Verdade verdadeira. Um sábio este moço.

Gostei muito. Recomendo!


Adenda:
Entretanto a VeloCorvo abriu loja em Alvalade, Lisboa.
http://www.velocorvo.com/
(Rua José Lins do Rego, 6, 1700-011 Lisboa)

A arte ancestral do insulto

Thursday, June 18, 2015

Recentemente vi numa bicicleta parqueada na rua uma mensagem, toscamente agarrada ao selim, para a sua traseira que dizia:
"Só as plantas crescem paradas e tu não és um vegetal!"


Delicioso... requintes de malvadez mas com um superior e apurado sentido de humor.

É brilhante, todo o conceito, desde a mensagem até à escolha das cores e tamanho da letra.

Para aqueles veículos que que já estão parados em semáforos, cruzamentos e demais filas talvez consigam ler e ficam entretidos a pensar...
Os que vêm em marcha obriga a curiosidade do condutor do veículo a abrandar e a tentar ler, e a reler, e mais uma vez reler e tentar perceber, abrandando a marcha e seguindo baralhado,

Alguns quiça umas horas depois... "AAhhhhh, o sacana estava a gozar comigo... ahhh o malandro do ciclista...". Hehehehe, excelente!

Algumas tiras para ilustrar esta ideia do insulto inteligente e retardado.


Tu és capaz!

Thursday, June 11, 2015

Hoje de férias na minha voltinha pela Marginal - de Algés até Cascais (uma das frentes beira-rio/beira-mar mais fantásticas da nossa vasta costa mas que infelizmente é um inferno em termos de mobilidade, quo vadis Portugal? ) dei por mim cansado e exausto mas alguém deixou escrito uma mensagem de alento...

"Tu és capaz :)"



Todos são capazes! Não há desculpas... 
"Ah e tal mas eu..." - é, quem não quer mesmo inventa razões...
A mudança tem de começar pelo próprio... é como deixar de fumar ou emagrecer...

"Tu és capaz :)"


Eles conseguem...





Para quem quiser mudar e arriscar, a MUBi tem um progama de apoio chamado BikeBuddy que dá aconselhamento/acompanhamento nos primeiros passos no ciclismo urbano.

http://bikebuddy.mubi.pt/


 

BiciCultura

Visite o Planeta BiciCultura

Visitas

Pesquisa

mais lidas

Tags