Formigar, a formigar,
em carreirinho a andar,
a formigar, a formigar,
sem descanso, a formigar,
"Saí da frente, vou trabalhar!"
a formigar, a formigar,
"Tá a mexer, tá a a andar!",
devagar, a acelerar,
a formigar, a formigar,
em filinha, sem parar, devagar,
"Anda lá, tá a despachar!",
a formigar, a desesperar,
os minutos a passar,
"Vou para a escola, vou estudar!",
a formigar, a formigar,
sem parar, a travar,
todos juntos a desesperar,
a bufar, a formigar, a formigar,
"Tá a mexer! Deixa de pastar!",
a seguir os outros, a formigar, a formigar,
sem pensar, sem pensar...
"Tenho de ir trabalhar!".
Sem pensar!
A formigar, a formigar,
sem descansar,
sem parar, a travar,
sem pensar,
a atrofiar, a formigar...
for·mi·gar
verbo transitivo
1. Mexer-se em grande quantidade (como formigas). = FORMIGUEJAR
2. Juntar-se em grande número.
3. Abundar.
4. Sentir formigueiro. = FORMIGUEJAR
5. [Figurado] Fazer pela vida.
6. Trabalhar com afã.
(...) http://www.priberam.pt/dlpo/formigar
Há dias vinha a chegar ao local do meu trabalho e vejo um colega e amigo a sair do nosso edifício para ir ter uma reunião noutro edifício, e como ia a chegar na Felicidade "buzinei" com a corneta a cumprimentá-lo pela fresquinha, eu na estrada de bicicleta ele no passeio a pé.
Ele mal se apercebeu que era eu, devia estar distraído nos seus pensamentos. Passados uns minutos recebo um SMS:
Mau, é que o som da corneta nem tem nada a ver com o melodioso som da gaita dos amoladores.
E isso lembrou-me que tenho de afiar uma série de facas mas sempre que o amolador passa lá na rua eu não tenho possibilidade de recorrer aos seus serviços... mas hoje consegui!
Ouvi o som característico do seu chamariz a ecoar nas ruas e acenei-lhe à distância da janela, ele veio e parou à minha porta. Acordamos valores e lá foi ele tratar de limar o fio da navalha de uma meia-dúzia de facas rombas que hibernavam na gaveta dos talheres.
É um senhor já nos 60 e muitos, com a tez marcada do sol de muitos anos, com um cigarrinho de enrolar na ponta da boca e de uma amabilidade fantástica. Deve ter vivido uma vida inteira neste mester, quiça desde menino moço.
A sua "biciclete" é o seu meio de deslocação, apesar de que ali no bairro e nas redondezas ele segue vagorosamente a pé à cata de clientela. A sua "biciclete" é também a sua ferramenta de laboração.
Quando me entregou as seis facas diz-me: "Não as lave com água quente ou na máquina que isso estraga o fio."
Se quisesse fazer mais negócio não me dizia nada e daqui a um ano estava a afiar-me as mesmas facas. É gente honesta.
Há quem pague para ir ao ginásio rolar em bicicletas-estacionárias, eu paguei para o amolador fazer exercício enquanto me tratava de aguçar as lâminas.
Por falar em cornetas, buzinas e campaínhas, ouvi falar destas coisas "Oujing Cycling horn":
Uiii, deve ser bem bom. Electronic horn. Isto é uma buzina. Para aqueles ciclistas que andam com pouca paciência para os peões nas ciclovias isto pode ser um escape à frustação, tem é de ser usado com peso e medida senão ainda mata alguém do coração.
(não estou a aconselhar, só a dizer que existe...)
A Prazeres rola e rola e rola e os carros caracolam...
"A vida é feita de decisões." - bora lá lançar este slogan!
Há uns meses fui contactado por um simpático moço que me pediu autorização para mencionar o meu blog num artigo que iria escrever sobre bicicletas, o que anui sem problema.
Hoje de manhã fiquei sabedor da peça jornalística.
Honestamente eu cada vez estou mais descrente nestas iniciativas, pois é ver as boas ideias serem votadas massivamente e depois tardam a ser implementadas pelas autarquias, algumas com desculpas esfarrapadas e "mal pagas".
Depois há também quem meta algumas pérolas, esta relacionada com bicicletas e mobilidade:
"Ciclovias a mais na cidade | 2015-05-18 18:44:02 Remover as ciclovias da cidade, são um empecilho para o trânsito"
Então não é que a semana passada fui ultrapassado por, não uma, não duas, mas por quatro bicicletas no espaço temporal de 10 minutos...
Dois commuters (o meu vizinho P e outro commuter que fui conhecendo que é o R - iam atrasados e seguiram) e por dois ciclistas de estradeiras em treino... num só dia logo por quatro!
E ainda há pouco tempo vi um commuter a ultrapassar outro commuter de bicicleta no sentido contrário ao meu.
Comecei nisto do commute de bicicleta já há dois anos. Neste tempo fui conhecendo as pessoas e como somos poucos é fácil criar empatia. Mais tarde via as redes sociais acabámos por passar a comunicar uns com os outros mais do que aqueles fugazes 10 segundos em que nos cruzamos ou passamos de manhã ou ao final do dia.
No princípio conhecia os que já eram meus amigos. O meu amigo/vizinho P, os meus amigos e colegas de trabalho S e C, e mais tarde criei uma amizade com um amigo deles o J com quem temos conversas engraçadas sobre isto das bicicletas.
" - E aquele moço mais gordinho? Sabes que é? - Sim, sim, tem uma pedalada, vai lá vai. É o E, ele vai todos os dias de bike para o trabalho. - E aquele outro que tem uma estradeira azul...? - Perfeitamente, é o F, para mim é como o "The Grail" o personagem do Yehuda, passa sempre por mim e nunca o consigo acompanhar. - Yá, esse sacana tem um ritmo do caraças... mas uma vez eu mais o Jamaica Man... - Quem?? - O Jamaica Man, não sabes quem é? É um mano com grandes rastas... ele passa noutra hora diferente da tua. - Pois, esse não conheço... - Mas uma vez o The Grail passa por nós, e virei-me para o Jamaica Man: Bora apanhá-lo? e fomos atrás dele... hehehe. - Ópá, eu nunca o consegui apanhar... ele rola muito...
"
Eu até há pouco tempo conseguia identificar quase todos os commuters no meu horário e outros que conhecia mas me cruzava de vez em quando: o P, o S, o C, o J, o E, outro P, o R, o F, outro R e um ou outro mais...
Agora? Agora apareceram mais uma meia dúzia deles, e noutros horários devem existir outros tantos... tudo gente que viu a luz! :)
Há dias vi um foto que o R tirou ao F (o que chamávamos "The Grail" antes de o conhecer) e que este postou no seu facebook:
...não resisti a deixar-lhe este comentário:
"Confessa lá que tens saudades daqueles dias de commute fechado dentro de uma latinha com ar artificial do AC, sentadinho sem fazer esforço a não ser apenas o suficiente para mudar a estação de rádio, enquanto ficas a abóborar parado no trânsito com um sorriso amarelo para o enlatado do lado? Que tens saudades de não ter de sentir os elementos a bater-te no rosto? O Sol a queimar-te a pele? A brisa a soprar-te na face? A chuva a molhar-te? Que passavas bem sem o cheiro das flores a brotar na Primavera? Ou do cheiro a terra molhada no início do Outono? Confessa que te sentes culpado por não contribuíres para a economia do país não gastando o teu soldo em ginásios? Em idas ao hospital por maleitas modernas, do stress e da ansiedade? Por não investires em produtos petrolíferos que tanto ajudam o nosso país? Confessa que tens saudades de engordar lentamente ao invês de queimares os excessos? Confessa lá que preferias voltar a fazer parte do rebanho que lentamente pasta de casa para o trabalho numa estrada de alcatrão ao invês de ires aí nesse estradão no meio do mato? Hmm?"
Hoje pensei de caminho em ir tomar um café ao tal spot da Gulbenkian que já referi no outro dia, mas descobri que que só abre às 10h00, ora bolas!
Mas nem tudo são más notícias... olha lá o que estão a meter nas entradas todas, e que foi estreado pela Felicidade...
A pessoa com quem falei disse que iam meter mais uns quantos, e quando referi que podiam estar melhor situados e menos refundidos disse que o "Arquiteto Jardim é que mandou meter assim!"
Mas pronto, pelo menos já há uma consciência... build them, and they will come!
São umas horas da vossa vida que podem dispensar e investir para o bem comum e para um bem maior. É de aparecer ou assistir remotamente, participar, opinar, aprender e apreender, ser ativo e útil.
Mas aqueles que já são sócios deem lá um salto e participem!
"Quem quer fazer algo encontra um meio, quem não quer fazer nada arranja desculpas." - ou é do Confúcio, ou é um provérbio Árabe, ou é sabedoria popular...
O que me fez lembrar esta musiquinha:
Movimento Perpétuo Associativo - Deolinda
«Agora sim, damos a volta a isto! Agora sim, há pernas para andar! Agora sim, eu sinto o optimismo! Vamos em frente, ninguém nos vai parar! -Agora não, que é hora do almoço... -Agora não, que é hora do jantar... -Agora não, que eu acho que não posso... -Amanhã vou trabalhar... Agora sim, temos a força toda! Agora sim, há fé neste querer! Agora sim, só vejo gente boa! Vamos em frente e havemos de vencer! -Agora não, que me dói a barriga... -Agora não, dizem que vai chover... -Agora não, que joga o Benfica... e eu tenho mais que fazer... Agora sim, cantamos com vontade! Agora sim, eu sinto a união! Agora sim, já ouço a liberdade! Vamos em frente, e é esta a direcção! -Agora não, que falta um impresso... -Agora não, que o meu pai não quer... -Agora não, que há engarrafamentos... -Vão sem mim, que eu vou lá ter...»