Iluminem-se como o Natal!

Wednesday, December 24, 2014

Ultimamente tenho documentado em vídeo uma série de troços do meu commute que penso que beneficiariam muito em ter uma ciclovia. Mas a ciclovia per si não servirá de muito se não houver uma adequada iluminação.

Hoje é assustador circular de bicicleta à noite ali na zona que une a rotunda de Pina Manique e a zona do Parque de Campismo de Lisboa.



Por isso é que os ciclistas tem de se defender e nestes casos estar o mais visível possivel para os outros. Eu acredito que aos olhos dos meus colegas quando me visto para o meu commute de ~11kms devo parecer um alien - temos pena, não vou sentir vergonha de querer "proteger o meu pêlo".

Cada um sabe de si e Deus sabe de todos (ó eu religioso), mas os ciclistas que eu vejo sem luzes deveriam era ter juízo.

Resumidamente na minha bicicleta "Felicidade":
- tenho uma luz traseira no capacete a piscar intermitente a vermelho;
- tenho uma luz traseira na bicicleta com várias formas de piscar, vou mudando o modo mas tenho usado mais o modo estático;
- tenho a luz da própria bicicleta que vinha de origem e liga ao dínamo mas está avariada, tenho de ir tratar;
- tenho a luz dianteira do dínamo, está estragada tenho de ir arranjar;
- tenho uma luz LED com foco que ilumina imenso (ver vídeo em cima);
- e como esta luz no outro dia falhou-me tenho um pequeno LED que pisca apenas para sinalização, não dá para iluminar o caminho.
- as rodas tem obviamente refletores obrigatórios por lei;
- os pedais tem refletores;
- tipicamente uso casacos com refletores;
- uso nos tornozelos umas fitas reflectoras que também tem a função de apertar as calças;

Todo eu estou iluminado e visível, tal qual uma árvore de Natal... eu sou Natal!


Boas festas!


Suportes para parqueamento de bicicletas - U invertido

Monday, December 22, 2014

No final da Primavera de 2014 o número de malta a trazer bicicleta para o trabalho aumentou, muito, e como tal começou a ser complicado arranjar lugar nos suportes existentes lá no parque do trabalho.

A verdade é que este espaço é fechado na garagem da empresa e tem vigilância, e até inclusive há quem deixe as ditas simplesmente encostadas sem qualquer cadeado, mas ainda assim há uns de nós que gostam de as prender a algo e não as deixar simplesmente encostadas ali à parede abandonadas.

Assim, abordei os responsáveis do edifício para facultar mais parqueamento para as bicicletas. Após alguns telefonemas e emails, a pessoa com poder de decisão ficou sensibilizada e decidiu avançar com mais estruturas para "encaixar" bicicletas.

Nesta fase e já com a necessidade mais que entendida chegou a vez de explicar que as estruturas atuais não são as mais convenientes, pois são "entorta-rodas".



Depois de mais uma vez explanar as razões e fazer valer a visão de um utilizador de bicicletas, o responsável mostrou abertura para efetuar o pedido a estruturas convenientes mas pediu-me que o auxiliasse nesse aspecto.

Foi então que numa rápida pesquisa na internet encontrei a especificação facultada pela MUBi e lhe enderecei por email:

«
Em relação à montagem de estruturas mais adequadas, encontrei este artigo da MUBi (Associação pela Mobilidade Urbana de Bicicleta):
http://mubi.pt/?attachment_id=3081

'Suporte para bicicletas MUBi. Este desenho técnico tem as medidas que estão dentro dos padrões internacionais sobre estacionamento para bicicletas, e é recomendado pelo projeto “Selo amigo das bicicletas” da MUBi. Caso queira obter um, basta levar o desenho CAD em imagem vetorial a qualquer oficina de serralharia de metal, que por certo farão o dito suporte sem qualquer dificuldade. Caso o solo não seja sólido o suficiente, numa das extremidades deverá colocar-se uma sapata de betão.'
»

Tendo sido na altura do início do verão demorou algum tempo, mas um dia cheguei e lá na garagem já estavam os novos suportes para parqueamento de bicicletas como deve de ser.

Neste momento, estamos no inverno, os lugares de bicicleta sobejam - mas houve dias em que já com mais estes novos lugares estava tudo lotado.

Contruam que elas virão!




Primeiros dias de janeiro de 2015:




"Tour de Fuck You" ou a falta de sinalização?

Sunday, December 21, 2014

Esta semana no commute matinal ali na parte da Ciclovia de Monsanto (que pelos vistos se chama Ciclovia Lisboa Cidade (?)) quando me preparava para cumprimentar um dos vários commuters - que não conheço mas com quem me cruzo diariamente - eis que ele desvia o olhar para a estrada que nos ladeia num momento de estupefação. Eu próprio fiquei completamente espantado pela situação.

Então não é que um ciclista, daqueles mega licrados e com uma bicicleta de muitos milhares de euros (presumo, não percebo nada disso), passa por nós a abrir mas... do lado de fora da barreira de proteção que separa a ciclovia da estrada conhecida como Radial de Benfica, circulando depressa na berma dessa "auto-estrada" urbana.

Eu defendo que há certas zonas urbanas (nomeadamente dentro das cidades) que não faz sentido haverem ciclovias, mas também defendo que há zonas que deve haver essa segregação, especificamente onde o trânsito automóvel atinge velocidades elevadas.

Existem zonas onde há ciclovias e no entanto os ciclistas podem, segundo o novo CE, optar por usar a estrada (a que tem direito)... mas neste caso acho que é mesmo proibido (ver adenda no fim).

Aquela ciclovia tem alguns pequenos defeitos, é verdade, mas a sua existência é de uma importância extrema para unir a zona suburbana de Alfragide, Carnaxide, Miraflores e Linda-a-Velha a Lisboa.

Não se pode avaliar o todo pela parte, e este é daqueles casos em que UM ciclista, mesmo que em treino para a "Tour de Fuck You" (alusão ao videoclip do "Motherfucking Bike"), causa má imagem de um todo que luta por "direitos" mas que também tem "deveres".

Este projeto de "Alberto Contador" circulava aqui...





Não é normal! :(

Ver aqui no Google Street View.

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Adenda: 

Entretanto como fiquei com a "pulga atrás da orelha" hoje no commute de manhã fui atento e reparei que não existe um sinal destes nas entradas por onde passei:



Portanto... legalmente falando, alguém que ande na estrada e entre ali naquele acesso vai acabar por circular de bicicleta numa "autoestrada" de forma legal!!! Ou estou a ver mal o filme?



Ver via Google Street View

Mas andam a poupar nos sinais?!

Carris/calhas nas escadas

Saturday, December 20, 2014

Há anos que não vou de bicicleta para a zona beira-rio ali em Belém e Alcântara, em Lisboa.

No outro dia numa incursão ao Museu da Eletricidade com a família (fomos de carro, verdade) usei esta estrutura que permite o acesso pedonal entre a barreira que existe de uma linha de comboio e 4 + 4 faixas de alcatrão (sim, 8 faixas de alcatrão!). Do outro lado está o futuro novo-mega-museu dos Coches.

Fiquei agradado por ver que já existe um carril/calha para facilitar a passagem de bicicletas, é que no "meu tempo" eu carregava a dita às costas...

As coisas vão avançado, devagar devagarinho...







https://www.google.pt/maps/@38.6959464,-9.1988948,3a,75y,125.72h,84.14t/data=!3m4!1e1!3m2!1ss9R1lz_bFbVVy7pTlIHPcw!2e0

Funcionários - ou como gastar dinheiro estupidamente #1

Tuesday, December 16, 2014

(Na onda da sátira "Funcionários" do livro "Quotidiano Delirante" do artista Miguelanxo Prado segue uma estória de pura ficção...)

«Era uma dia de semana como um outro qualquer, de um qualquer ano lá na repartição dos serviços da edilidade.

- Bom-dia... - disse o homem com voz arrastada ao chegar ao serviço pousando o jornal desportivo em cima da mesa.

- Bom-dia senhor engenheiro! - responde o rapaz franzindo o sobrolho - Quer dizer, já é é quase hora de almoço.

- É? - disse mirando o relógio - tens razão. Estive ali no café a trabalhar rapaz. Isto nem tudo se faz atrás de uma secretária entre quatro paredes - replicou.

- Agora que chegou... veio cá o vereador para tratar do tema da Mobilidade Urbana. Diz que ainda há orçamento para este ano e que temos de gastar a verba pois se não se gasta para o ano já se sabe que não podemos contar com o "ovo no cú da galinha", palavras dele.

- Isso é verdade rapaz, uma boa verdade. Aprende! Toda a gente sabe que se sobra orçamento então para o ano acaba a mama. Tiemos que gastar lo diñero! - disse sorrindo - Veio cá falar do quê? Mobilidade?

- Sim - esclareceu o rapaz pensado que o portunhol só ficava mal ao engenheiro.

- Ópá, tenho uma ideia genial para isso.

- A sério?

- Sim, sim... agora que anda aí a moda das bicicletas, eeh, as bicicletas é mobilidade não é?

- É, é! - confirmou o rapaz expectante.

- Isso... então pensei que podíamos fazer aí umas coisas boas para essa malta das duas rodas que agora andam praí todos excitados.

- Venha de lá essa ideia!

- Estás a ver aquele jardim lá em baixo perto da ribeira? - questionou o homem com entusiasmo na voz - Onde tem agora aquela esplanada, que até tem TV e costuma dar a bola? Gosto mesmo de lá ir, é agradável.

- Sim, até é perto de sua casa, não é? Costuma lá ir a pé?

- É mais ou menos perto, é um minutinho de carro. Não gosto de ir a pé pois há sempre carros no passeio e as calçadas estão em mau estado. 

- Está a falar a sério? - inquiriu o rapaz com ar reprovador - Mas aquilo não é complicado de estacionar?

- Há lá uns passeios a uns ciquenta metros que se estacionar assim meio em cima meio na estrada aquilo fica bem, e não incomoda ninguém. Há lá perto uma esquadra, mas se não estacionar nos lugares da deles então não chateiam.

O rapaz suspirou primeiro e engoliu em seco depois para não dizer nenhum impropério.

- Bom, mas e a ideia da mobilidade?

- Então no outro dia fui lá tomar café e ler o meu jornal, sabes, gosto de ir à esplanada pois apesar de haver ali um parque infantil tiveram a decência de meter na outra ponta do parque... assim os fedelhos não andam por ali a chatear, e os paizinhos que vêm ao jardim não abancam na esplanada pois tem de ir para o parque infantil acompanhar as crianças, hihihi, olha, não sei quem teve essa ideia mas é brilhante, ter o cafézito com esplanada e o parque infantil em zonas totalmente afastadas, assim não há cá misturas... bom, mas dizia-te... então não é que no outro dia fui lá e dois putos badamecos deixaram as suas bicicletas assim largadas no meio do caminho? É que quase não dáva para passar - e acabou de falar com ar de duradoura perplexidade.

- Hmmm, está bem, são miúdos, o jardim até é bom para a criançada andar de bicicleta...

- Certo, certo... mas cada coisa no seu lugar... daí que me lembrei que bom bom era meter ali uma daqueles estruturas para se estacionar as ditas, que achas? Grande ideia hã?

O rapaz pausou e pensou uns instantes.

- Honestamente? 

- Sim! Sim!

- Acho que não! Acho que era preferível gastar o orçamento em coisas realmente úteis e necessárias. Arranjar e nivelar os passeios. Colocar pilaretes onde possa haver estacionamento selvagem. Melhorar a sinalização que está deteriorada. Criar rampas onde há escadas para facilitar a deslocação de pessoas com necessidades, ou até para os carrinhos de bebés. Sei lá... ter semáforos com avisos sonoros para as pessoas com dificuldades visuais, ou até com temporizador para ajudar os peões nomeadamente os idosos. Criar zonas de acalmia de trânsito, com lombas e desníveis nas zonas de maior aceleração. Sei lá, tanta coisa que realmente poderia ser dinheiro bem gasto em termos da mobilidade urbana. Iniciar um troço de uma vasta ciclovia, e todos os anos ir fazendo um bocadinho. Isso de um suporte para bicicletas não me parece um bom investimento. Eu não metia aí o meu dinheiro.

- Poiiiiiis - arrastou o homem - o dinheiro não é teu mas é dos contribuintes, não te preocupes com isso. Olha que eu acho que é uma grande ideia. Acredita. Vais ver que metemos lá aquilo é vai encher de bicicletas. Tens visto muitos cegos a andar na rua? Não há. Não são malucos de arriscarem e serem atropelados. Deixa-te disso. Está decidido. Suporte para bicicletas para os fedelhos não me atrofiarem mais o meu caminho. É que assim depois já posso argumentar com os progenitores das crianças para irem lá estacionar as ditas. 

O rapaz já não estava com cabeça para argumentar, ele ali não mandava muito. Continuou o homem:

- Arranjar as calçadas e melhorar as condições para os idosos? E depois a minha santa Mãe ainda se arriscava a sair de casa sozinha e era um ai-jesus. Prefiro que ela fique sosseguadita em casa no sofá a ver televisão, lá está em segurança... ainda me aparecia na esplanada, já basta os almoços de família ao domingo.

O rapaz viu que na cabeça do homem não havia ponta de esperança. 

- E até te digo rapaz, isto bem feito, mas bem feito mesmo, é meter várias dessas estruturas espalhadas no parque, assim não há desculpas. Vamos lá estoirar, errrr, a aplicar esse orçamento. Mandamos meter dois, não três... isso... três suportes de bicicletas. Mas dos bons!  E um deles, o mais afastado de todos e longe de tudo, metemos uma estrutura de cobertura para proteger da chuva e do sol que é para ser o mais usado. Acho que é grande ideia.

- Olhe que acho que não.

- É grande ideia sim. Ainda metemos isto como comunicação positiva e obra feita no boletim do município, sempre fica bem e faz figura. Até tenho um amigo, err, um contacto... bom, um fornecedor cá da zona que faz isso barato. Rapaz, é BRI-LHAN-TE!
»

A estória é fição minha, mas os suportes são reais e existem no Parque Urbano de Miraflores, e nunca vi lá uma bicicleta que fosse... n-u-n-c-a!




Ver via Google Maps Street View

Adenda 1:
Hoje dia 20 de dezembro de 2014 na primeira visita à explanada após a escrita deste post eis que chego e está esta situação:



O "funcionário" que gasta assim o erário público deve ser daqueles que mete o escorredor da loiça na banheira, pois é onde faz sentido. Enfim...

Adenda 2:
Hoje dia 1 de maio de 2015, feriado do Dia do Trabalhador, vi finalmente a estrutura perto do parque infantil com algumas bicicletas.
Na minha parca e humilde opinão continua a fazer um mau serviço, pois leva a que as pessoas e crianças ali coloquem as suas binas que ficam longe dos olhares e sem qualquer segurança.
Eu levaria sempre a bicicleta para dentro do recinto para estar de olho nela, mas pronto, sou eu que se calhar sou picuínhas.



Pina Manique by night, a bad sight

Saturday, December 13, 2014

Ah e tal vai de bicicleta para o trabalho e o camandro.
Eu vou, mas considero que este meu troço de trajeto é muito perigoso, estou farto de bradar aos ventos e não cesso de melgar quem acho que pode ou deve ajudar a resolver este tema.



A minha bitola para que se faça neste trajeto uma ciclovia, ou se vá fazendo em fases, é simples:
- Eu, que me aventuro muitas vezes de bicicleta, considero o percurso seguro? Não!
- O meu pai que já conta 75 mas ainda tem muita destreza e reflexos (ainda anda de mota) andaria de bicicleta naquele percuso? Não!
- A minha mais-que-tudo que sempre andou de bina andaria naquele troço em commute ou até em lazer a passear? Não!
- Eu traria a minha mini-me de 5 anos a passear na sua bicicleta ou até puxada com um trailgator? Não!

Se não a um destes itens então é preciso uma ciclovia.

Querem que a cidade seja mais sustentável, então que se criem as condições (mínimas) a muitas pessoas que até estão para isso, mas se for em segurança!

Podem navegar aqui com o Google Street View e validar o trajeto e apreciar por exemplo o piso degradado e a falta de sinalização.
https://www.google.pt/maps/@38.7333034,-9.2078517,3a,75y,215.76h,77.33t/data=!3m4!1e1!3m2!1s0S425qBQxGQVKTlXiJ8s3w!2e0

No outro dia em conversa nas redes sociais alguém me referiu um determinado trajeto alternativo em detrimento do que faço, e contrapondo esse trajeto afirmei que não era lá muito fácil até para mim seguir ali no meio da "autoestrada urbana" o que a pessoa respondeu "Sim, é preciso firmeza!".
Com muito respeito pela opinião de quem acha que temos de conquistar o espaço na via pública e não criar segregações eu acho isso complicado. Isto não pode nem deve ser o far west onde só os fortes sobrevivem e os fracos são marginalizados (neste caso para dentro dos carros).

Vide novamente parte do meu percurso entre a rotunda de Pina Manique e a rotunda da Decatlhon na zona comercial de Alfragide (zona de Lisboa). Apreciai!

Vista traseira:


Vista dianteira:

Bicycle music playlist - youtube

Para o vídeo que criei recentemente coloquei algumas musiquinhas como pano de fundo, sobre binas e ciclismo e tal. Depois resolvi criar uma playlist com as ditas no youtube que podem ser vistas aqui:
Os videoclips apelam muito à bicicleta... :)

Hoje de manhã ao pequeno-almoço estava a ver/ouvir com a minha mini-me e praí ao terceiro vídeo ela mira-me nos olhos com um sentimento profundo e pergunta:
"- Popí, podemos ir andar de bicicleta hoje?"
"- Errr, mas está a chover querida..."
"- Quero ir andar de bicicleta, vá lá..."
"- Filha, se parar um bocadinho de chover e der para ir vamos andar, ok?"
"EU QUERO IR ANDAR DE BICICLETA!!"
"Ok, ok, ok... chiça..."
Estou a criar um monstrinho! :)

Mais à frente na playlist está um vídeo sobre Copenhaga, e eu disse que um dia haveriamos de ir lá visitar. Ela ficou mais atenta ainda a ver e depois perguntou:
"Mas... este mundo existe mesmo? Estas pessoas todas de bicicleta? Assim?"

Formatamos as crianças a viver dentro das latas fumegantes que depois acham estranho que haja quem faça uma vida diferente. Enfim...


 

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